sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Postal: Rochehaut - Plantation de Tabac de la Semois




Postal: Rochehaut - Plantation de Tabac de la Semois. 
Edição: Planteurs-Fabricants F. Didot & Fils - Rochehaut - Frahan-s/Semois. Início séc. XX?


O tabaco é cultivado no Vale do Semois pelo menos desde o século XVI. Os agricultores cultivavam apenas as plantas necessárias para o seu próprio consumo, e também eram utilizadas como plantas ornamentais em jardins ou fachadas. Mais tarde, descobriram-se as suas propriedades medicinais. Por fim, o tabaco passou a ser mascado e fumado. Os agricultores perceberam o valor de mercado do tabaco, uma planta que não constava da lista de culturas sujeitas ao imposto terrage. Para evitar esse imposto, os agricultores abandonaram parcialmente as culturas tradicionais tendo substituído pelo tabaco, mais lucrativo. Mas em 1748, um imposto de 1/12 avos passou a ser devido ao senhor do feudo por toda a produção cultivada; o cultivo do tabaco, além do consumo pessoal, deixou de ser rentável e foi abandonado.

Poucos anos depois, a Revolução Francesa eliminou todos os vestígios dos antigos senhores feudais. A região foi incorporada à Bélgica em 1830. Pouco depois de 1850, um professor de Mouzaive, Joseph Pierret, reintroduziu o cultivo de tabaco em Alle-sur-Semois. Ele plantou, com caráter experimental, 1 hectare de tabaco. A colheita superou as previsões mais otimistas: o tabaco apresentou rendimento excepcional e excelente qualidade. Joseph Pierret observou que o tabaco demonstrava uma marcada preferência por retornar ao mesmo solo, prosperando ainda melhor nessas condições, mesmo sem a prática de rotação de culturas. O tabaco prefere solos aluviais, ligeiramente ácidos: terrenos xistosos são muito adequados.

Em 1880, em Alle-sur-Semois, apenas 81 ares estavam plantados com tabaco. Mas, em 1885, o tabaco já se havia espalhado por todo o vale do Semois. Em 1905, havia 280 hectares, ou 7 milhões de pés de tabaco; em 1910, mais de 400 hectares, ou 10 milhões.

Esta região sempre foi pobre devido à baixa qualidade do solo. O cultivo do tabaco, sendo lucrativo, permitia vida mais digna. Foi gradualmente substituindo os ofícios de extrator de ardósia e fabricante de pregos, que eram comuns na região.

O tabaco da região de Semois possuía um aroma inigualável. O vale profundo protegia-o das severas variações climáticas: a temperatura no fundo do vale permanecia agradável e a humidade alta. Os depósitos aluviais trazidos pelo rio e o xisto fino, permeável e areado criavam o solo ideal para o cultivo do tabaco. Era considerado o mais aromático do país, mas também o de menor teor de nicotina.

Atualmente, diversos fatores estão a causar gradualmente o declínio da plantação do tabaco no Vale de Semois: doenças, pouco lucrativo, política tributária, concorrência com outros sabores, entre outros.

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